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Abuso verbal não é crítica

Vamos, lá. Essa semana, um episódio lamentável ocorreu nas redes sociais e eu acho que é uma boa hora para refletir sobre crítica, abuso e ódio.
Estou a par das reclamações sobre a história de sucesso escrita por E.L. James - quem não ouviu falar em Cinquenta Tons de Cinza? Eu ouvi várias coisas - boas e ruins - mas nunca li o livro nem vi o filme. Assisti ao trailer e ouvi algumas músicas da trilha sonora, se isso ajuda.
CTDZ é uma fanfic de Crepúsculo, outro romance que não caiu muito no gosto de pessoas que não eram o público-alvo e então alguns destes se transformaram em “odiadores.” A palava hater é muito comum no inglês, e designa pessoas que se dedicam à causa de odiar uma pessoa ou produto que não lhe agradou, ofendendo e rebaixando a qualquer oportunidade, sem motivo lógico. Hater é uma expressão pejorativa, então por que os haters estão tão comuns hoje em dia?
Bem, porque o hater/odiador muitas vezes acha que está apenas dando sua opinião, ele não se vê como um hater. Essa foi a desculpa de várias pessoas para o linchamento virtual (que vamos deixar claro: dói tanto quanto o presencial) da escritora.
Ela foi xingada de PUTA incontáveis vezes, o famoso “você não sabe escrever” foi um dos bordões mais usados, além de variáveis de pessoas que com certeza se sentiram muito inteligentes por bolarem tweets tão sarcásticos para ofender alguém. E quando alguém tentava dizer que o bullying em curso era desnecessário, recebia outras mensagens sagazes, sarcásticas e cheias de ódio.
A hashtag #AskELJames, nem preciso dizer, deu totalmente errado para o seu propósito inicial: promover um feedback entre a escritora e seus fãs. Em vez disso, se transformou no paraíso dos haters, alimentados pelo anonimato e pela coletividade, dando inúmeros exemplos de abuso verbal.
O talento de E.L. James pode, de fato, ser questionável, assim como a qualidade literária de seu best-seller. Mas o que muda quando a xingamos de puta e burra?
Desconfio de que os insultos enviados eram apenas a voz da intolerância, a falta do que fazer, produto de mentes deficientes de empatia, mas jamais, JAMAIS, a vontade de ajudar a melhorar. Um insulto não pode ser confundido com crítica construtiva.
Quem insulta não está interessado em ouvir uma resposta nem aceita qualquer defesa ou está interessado em algo além de sair bem na fita. Quem dá críticas construtivas ou quer debater o assunto, o faz de maneira educada, sem perder a razão, sem apelar para baixarias ou invadir um espaço que não foi feito para a crítica.
Cada vez mais comum está xingar certas pessoas, grupos de pessoas ou gêneros literários simplesmente porque são a bola da vez. Nem adianta perguntar por que. Parece impossível de assimilar, para certas pessoas, que VOCÊ TEM O DIREITO de não ler o que não te agrada, abandonar o livro na metade, VOCÊ PODE escrever resenhas expressando os pontos negativos da trama, VOCÊ TAMBÉM PODE ler outro livro e seguir com sua vida.
É como eu sempre digo: se você não tem nada de útil pra dizer, fique quieto, ou melhor… Saia do twitter.

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